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As Embalagens dos Alimentos e o COVID-19

Publicado por Macro Makers em 2020-05-20 às 10:00

As Embalagens dos Alimentos e o COVID-19

O Departamento de Alimentação e Nutrição do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge explica alguns dos procedimentos a adotar para evitar o contágio pelo novo Coronavírus.

A pandemia do COVID-19 chegou, mas veio sem "compêndio de instruções". Ainda estamos todos a adaptar-nos e a tentar perceber qual será a melhor forma de gerir o dia-a-dia e as rotinas, bem diferentes de antes, sobretudo para evitar o contágio. 

  • Como fazer compras com segurança?
  • Devemos desinfetar os produtos frescos ou as suas embalagens?
  • E o que se deve fazer quando se chega a casa com as compras para evitar a contaminação? 

De acordo com um relatório emitido pela agência norte-americana do medicamento (FDA, Food and Drugs Administration), para os consumidores atualmente não há evidências de que alimentos ou embalagens de alimentos estejam associados à transmissão do Coronavírus devido ao COVID-19. Apesar de vários estudos indicarem que o tempo de sobrevivência do vírus varia de material para material, podendo durar até três dias no plástico e cerca de dois dias no aço, a carga viral deste reduz-se bastante durante esse período.

"Queremos assegurar aos consumidores que não há qualquer prova de que a comida para humanos ou animais ou que as suas embalagens possam estar associadas com a transmissão do novo coronavírus que provoca a Covid-19", refere o relatório da FDA. “No entanto, se quiser, pode desinfetar as embalagens e deixá-las secar ao ar, como forma de precaução”, lê-se ainda na publicação.

Outros organismos corroboram a informação reportada no relatório da FDA. A Comissão Europeia, por exemplo, emitiu, dia 8 de abril, um documento com uma série de perguntas e respostas referentes à temática COVID-19 e Segurança Alimentar. Neste documento, à questão "Qual é o risco de obter Covid-19 de embalagens de alimentos?" a Comissão responde que "não há evidências de que embalagens contaminadas, expostas a diferentes condições e temperaturas ambientais, transmitam a infeção".

“No entanto, para lidar com as preocupações de que o vírus presente na pele possa ser transferido para o sistema respiratório (por exemplo, tocando o rosto), as pessoas que manipulam embalagens, incluindo os consumidores, devem seguir as orientações das autoridades de saúde pública sobre boas práticas de higiene, incluindo lavagem regular e eficaz das mãos”, indica o documento da Comissão Europeia.

A Organização Mundial de Saúde, por sua vez, num documento de orientações aos consumidores, à questão "É seguro receber um pacote de qualquer área em que o COVID-19 tenha sido relatado?", responde que sim, já que a "probabilidade de uma pessoa infetada contaminar mercadorias comerciais é baixa e o risco de infetar um pacote que tenha transportado, também é baixo".

Perante toda a informação até agora disponibilizada, podemos afirmar que os especialistas são unânimes que a transmissão por embalagens de plástico, cartão ou outro material não é evidente, uma vez que, mesmo permanecendo nas superfícies, a carga viral é muito baixa.

Assim sendo, a recomendação geral é manter as regras de higiene e lavar as mãos com água e sabão quando se regressa a casa, e novamente quando se termina a tarefa de arrumar as compras.

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